O
aparecimento do gado de raça brava em Samora Correia reporta-se ao tempo
do rei D. João IV com gado de raça morucho das manadas reais propriedade
da Casa Real Portuguesa, que pastavam nas terras do Infantado nas quais estavam
englobadas as do senhorio de Pancas , estes terrenos são parte integrante
da freguesia de Samora Correia, situando-se entre esta localidade e a vizinha
Alcochete, nascendo então a vontade de criar toiros com faculdades para
poderem ser lidados.
Tal vontade corporiza-se com a assídua presença de D. Miguel de
Bragança em terras de Samora Correia.
O filho de D. João VI e de D. Carlota Joaquina irmã do rei D.
Fernando VII de Espanha, este rei era possuidor da maioria e de uma das melhores
e encastadas ganadarias do país vizinho, por compra desta a D. Vicente
José Vazquez então o maior criador de gado bravo seleccionado
da localidade de Utrera "Sevilha"
Tendo conhecimento da aquisição da ganadaria por parte de seu
irmão D. Carlota, decide presentear o filho, D. Miguel, com gado bravo,
pelo que solicita ao irmão que lhe venda uma ponta de vacas de sangue
vazquenho e os sementais necessários para padrearem, ao que o irmão
acede e não vende, mas sim oferece ele ao sobrinho cinquenta vacas de
ventre e dois sementais de melhor linha. Este gado chega a Portugal no ano 1830.
D. Miguel de Bragança ao tornar-se ganadero é o responsável
pela transformação involuntária e selecção
do toiro bravo em Portugal.
D. Miguel de Bragança manteve esta ganadaria até 1834 sem ter
tido tempo para a dirigir e orientar em virtude de estar sempre ocupado pela
guerra civil. Dada a rebeldia de D. Miguel, o seu irmão D. Pedro decide
distribuir a ganadaria pelos seus amigos favoritos entre eles Estevão
António de Oliveira possuidor do ferro de pancas. Sendo posteriormente
adquirida uma parte já cruzada por António José Pereira
Palha existindo ainda nos nossos dias uma ponta deste gado na ganadaria dos
herdeiros de D. Maria do Carmo Palha "quinta da foz".
O
TOIRO BRAVO EM SAMORA CORREIA