João Fernandes Pratas

Professor
(1880 - 1954)

Nasceu em Samora Correia a 25 de Junho de 1880, filho de um empregado da Companhia das Lezírias.

Levado para Lisboa por um familiar para poder continuar os seus estudos depois da instrução primária, fez o Curso Elementar e o de Admissão ao Liceu. Trabalhava num escritório de dia e frequentava o Curso Elementar do Comércio  de noite. Aos 21 anos foi acometido de uma doença que o incapacitou de trabalhar. Nada mais podendo fazer, começou a ensinar as primeiras letras a rapazes. Porém, com 24 anos um ataque de paralisia imobilizou-lhe a coluna vertebral.

Deitado, movendo unicamente as mãos, impossibilitado de se mexer, resistiu a esta desgraça e continuou a leccionar, acompanhando todos os movimentos dos seus alunos através de um espelho, e com uma longa vara dava as indicações necessárias.

A doença, portanto desviando-o de outras actividades, fê-lo dedicar-se totalmente à instrução primária, como professor de ensino particular e, sem ofensa para os professores oficiais, distinguiu-se pelas boas notas dos alunos no exame da 4ª classe sempre feitos em Benavente.

De uma sensibilidade comovedora e alta inteligência, superou a falta de estudos liceais com uma entrega total ao ensino e aos alunos, e desde 1901 a 1949 preparou para o exame da 4ª classe 403 rapazes, entre os quais alguns dos que hoje ocupam lugares de destaque.

Republicano a toda a prova, procurou exaltar alguns Samorenses com a sugestão de nomes na toponímia, entre outros, Azedo Gneco e o Coronel Moura Mendes.

No dia 10 de Outubro de 1948 recebeu dos antigos alunos e do povo a sentida e justa homenagem, que lhe era devida, por tanta dedicação, apesar da doença que o acometeu, pois Samora Correia soube agradecer a sua benemérita actividade em prol da terra que o viu nascer.

Antevendo a aproximação da morte, pediu, num gesto que a todos encantou, que o levassem a Lisboa, onde recebeu os Sacramentos da Santa Igreja, entregando a sua alma ao Criador a 24 de Janeiro de 1954.

Samora Correia, reconhecida a tão ilustre professor e pedagogo, levantou-lhe um monumento no Largo do Arneiro, que recebeu o seu nome, bem como lhe dedicou a Escola C+S.