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Nasceu
em Samora Correia a 25 de Junho de 1880, filho de um empregado da
Companhia das Lezírias.
Levado
para Lisboa por um familiar para poder continuar os seus estudos
depois da instrução primária, fez o Curso Elementar e o de Admissão
ao Liceu. Trabalhava num escritório de dia e frequentava o Curso
Elementar do Comércio de noite. Aos 21 anos foi acometido de
uma doença que o incapacitou de trabalhar. Nada mais podendo fazer,
começou a ensinar as primeiras letras a rapazes. Porém, com 24
anos um ataque de paralisia imobilizou-lhe a coluna vertebral.
Deitado,
movendo unicamente as mãos, impossibilitado de se mexer, resistiu a
esta desgraça e continuou a leccionar, acompanhando todos os
movimentos dos seus alunos através de um espelho, e com uma longa
vara dava as indicações necessárias.
A
doença, portanto desviando-o de outras actividades, fê-lo
dedicar-se totalmente à instrução primária, como professor de
ensino particular e, sem ofensa para os professores oficiais,
distinguiu-se pelas boas notas dos alunos no exame da 4ª classe
sempre feitos em Benavente.
De
uma sensibilidade comovedora e alta inteligência, superou a falta
de estudos liceais com uma entrega total ao ensino e aos alunos, e
desde 1901 a 1949 preparou para o exame da 4ª classe 403 rapazes,
entre os quais alguns dos que hoje ocupam lugares de destaque.
Republicano
a toda a prova, procurou exaltar alguns Samorenses com a sugestão
de nomes na toponímia, entre outros, Azedo Gneco e o Coronel Moura
Mendes.
No
dia 10 de Outubro de 1948 recebeu dos antigos alunos e do povo a
sentida e justa homenagem, que lhe era devida, por tanta dedicação,
apesar da doença que o acometeu, pois Samora Correia soube
agradecer a sua benemérita actividade em prol da terra que o viu
nascer.
Antevendo
a aproximação da morte, pediu, num gesto que a todos encantou, que
o levassem a Lisboa, onde recebeu os Sacramentos da Santa Igreja,
entregando a sua alma ao Criador a 24 de Janeiro de 1954.
Samora
Correia, reconhecida a tão ilustre professor e pedagogo,
levantou-lhe um monumento no Largo do Arneiro, que recebeu o seu
nome, bem como lhe dedicou a Escola C+S. |