Camilo Neves Martins
Padre 
(1918 - 2000)

Nasceu a 23 de Novembro de 1918, entrou para o seminário de Évora, com 11 anos de idade, no ano lectivo de 1929-1930, tendo passado para o seminário das Missões no fim do curso de Filosofia. Mais tarde, revelando desde sempre um grande espirito de missionário, inicia a sua preparação para o trabalho em África, onde viria a terminar o curso de Teologia.

No dia 1 de Outubro de 1944, em Braga, é ordenado Sacerdote, no dia seguinte, canta a sua primeira missa em Viana do Castelo e uma semana depois, a 8 de Outubro de 1944, celebra a sua primeira missa em Samora Correia, sua terra natal.

Antes da sua nomeação para Angola, leccionou nos Seminários das Missões de Godim (Régua) e Fraião (Braga). Embarcou para Luanda em Setembro de 1945, numa Missão em Maiombe, no enclave de Cabinda. Mais tarde, transitou para Luanda, onde restaurou a Paróquia de S. João Baptista da Cazanga, nos arredores da cidade, onde permaneceu 10 anos. Durante esse tempo, colaborou na construção de todos os edifícios necessários á Paróquia, acumulando as funções de Mestre de Noviços e Superior da Congregação dos Irmãos da Sagrada Família, na qual recebia os melhores alunos nativos das Missões da Arquidiocese de Luanda. Em Setembro de 1956, fundou a Paróquia da Samba, em Luanda, onde era professor da Escola Comercial e Industrial e também do Seminário de Luanda.

Nos últimos onze anos passados em Angola, colaborou habitualmente na Rádio Eclésia e no Jornal o "Apostolado" . Projectou ainda, as Igrejas de Camabatela (Congo), Duque de Bragança (Malange) e Caganza (Luanda), bem como as Capelas de Tentativa (Caxito) e de Samba e Mussulo (Luanda). A sua segunda Missão cumpriu-a em Moçambique, a partir de 1957. Foi professor do liceu e coadjutor da Sé. Em nome do Cardeal de Lourenço Marques, em 1958 orientou naquela cidade, o Congresso Internacional dos Organismos Femininos Católicos. Neste mesmo anos fundou uma Escola Nocturna com capacidade para 300 alunos africanos adultos. Em 1961-1962 foi Superior da Missão de Calanga (Lourenço Marques) e projectou a Igreja de Infulene nos arredores da cidade. Regressa ao Continente por motivos de saúde, em Dezembro de 1962.

De 1963 até 1968 paroquiou no Alentejo, no Concelho de Mourão e depois Santa Eulália. Mais tarde, muda-se para a cidade de Almada, onde exerce funções de Capelão do Santuário do Cristo Rei, e também fundador da Paróquia do Cristo Rei, onde se manteve um ano. Inaugurou a Igreja Paroquial e foi neste período, professor do Ciclo Preparatório na cidade. Transitou em Setembro de 1969 para Setúbal, aí fundou a Paróquia de S. José. Construiu na zona a Igreja Paroquial, as Capelas de Pontes e Cachofarra, os edifícios de Jardim Infantil e Anexos, exercendo ainda no Liceu, o professorado durante alguns anos.

Foi Director Espiritual dos Cursos de Cristandade e do Núcleo da Vigararia de Setúbal; Assistente Eclesiástico das Equipas de casais do Concelho de Nossa Senhora, do Concelho Particular das Conferências de S. Vicente de Paulo e de Cursos de Formação Juvenil do Distrito. Organizou e dirigiu a Caritas Diocesana; construiu o Centro dos Cabo-verdianos, construiu 4 Jardins Infantis e respectivos anexos. Foi eleito um dos quatro membros da Comissão Permanente da Caritas Portuguesa e Presidente do Conselho Fiscal da União das Instituições Particulares de Solidariedade Social, com sede no Porto.

Em Outubro de 1985, a seu pedido, foi-lhe concedido um ano de descanso. Porém, gozou apenas 3 semanas, já que por motivo de doença do Prior de Santo Estêvão, foi forçado a assumir a Paróquia desta freguesia, cargo que forçosamente abandonou quando ficou sozinho com a Paróquia de Samora Correia.

Contudo, ainda consegue para Santo Estêvão, um subsidio da Fundação Gulbenkian, em 1986, de 750 contos, com o qual equipou o Salão Paroquial. Para os Foros de Almada concebeu o projecto da Igreja e começou a sua construção.

Em Outubro de 1986, foi nomeado Pároco de Samora Correia, iniciando finalmente depois de ter dado tanto aos outros, um trabalho extremamente fecundo pela terra que o viu nascer. Para o Porto Alto, projectou e construiu a Igreja (1988), na Vila construiu o Salão Paroquial(1991), e os anexos de convívio (1994). Lançou a ideia do Centro de Dia e de Apoio Domiciliário. Organizou e dinamizou uma nova comunidade Cristã nos Arados e obteve o terreno necessário para a construção de uma Capela. Foi ainda colaborador do Jornal Vale do Tejo e da Rádio Íris. Onde procurou sempre contribuir com as suas opiniões, para o esclarecimento das gentes da nossa terra. Porém não ficaria por aqui a obra deste Grande Samorense a quem a terra tanto deve, mercê de tantas horas de trabalho e estudo, desvendaria ainda o riquíssimo passado da terra que o viu nascer, chegando ao fundo das Origens de Samora Correia. Este trabalho, de valor incalculável, deixou-o impresso em livro, que intitulou de "Samora Correia Através dos Tempos"

Padre Camilo Neves Martins veio a falecer no dia 7 de Janeiro de 2000 com 82 anos de idade. 

Samora perdeu um amigo.